Marcelo Fischborn

Doutor em Filosofia. Professor no Instituto Federal Farroupilha. Autor de Por que pensar assim? Uma introdução à filosofia

A recente pandemia fez com que atividades de ensino no mundo todo tivessem que ser movidas subitamente para formatos não-presenciais. A nível internacional, professores de filosofia iniciaram discussões sobre como proceder. O propósito deste post é reunir alguns exemplos da atividade docente em filosofia que estão sendo adotados aqui no Brasil, com os objetivos de auxiliar na seleção dos melhores formatos para aqueles que ainda queiram considerar alternativas, divulgar os conteúdos que estão sendo produzidos e convidar aqueles que estejam cientes de mais exemplos a enviá-los para que a lista possa ser ampliada.

Formato 1: Aulas por videoconferência com participação dos alunos

Um dos formatos que se pode adotar é a realização de videoconferências em que o professor e os alunos podem interagir durante a aula. Esse formato pode ser combinado com a gravação e disponibilização da videoconferência para consulta posterior, permitindo a consulta posterior do material (seja para revisão ou porque o aluno não estava conectado no momento agendado). Uma característica deste formato é que a aula ganha uma certa imprevisibilidade, assim como na sala de aula, que deriva das participações dos alunos.

O professor Rogério Severo (da Universidade Federal do Rio Grande do Sul) vem adotando este formato. Os vídeos estão disponíveis em seu canal no YouTube. Exemplos de aulas neste formato são as aulas do Seminário de Filosofia das Ciências Naturais (Graduação) e o curso sobre Perspectivas e Conflitos de Perspectivas (Pós-Graduação).

Exemplo:

Formato 2: Aulas previamente gravadas pelo professor

Um outro formato são aulas gravadas offline pelo professor e depois disponibilizadas para os alunos. Uma característica deste formato é que o professor tem mais controle sobre o que será incluído na gravação, sendo que a edição prévia da gravação também é uma possibilidade. A aula também pode ser acompanhada pela projeção de slides. Os professores Jonadas Techio (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e Flavio Williges (Universidade Federal de Santa Maria) usaram recentemente este formato. O primeiro disponibilizou uma aula sobre Ontologia da Fotografia e do Cinema e o segundo sobre Filosofia das Emoções.

Formato 3: Atividades de leitura e realização de exercícios

As atividades acima mencionadas estão sendo utilizadas no ensino superior. Trabalhando no ensino médio (modalidade técnico integrado), tenho tentado encontrar um formato que permita lidar com algumas peculiaridades: um número maior de alunos e cursos simultâneos (por exemplo, no momento tenho 13 turmas) e condições variadas de acesso à internet (alguns alunos acessam apenas via celular, outros têm limitações no plano de internet, de modo que vídeos são pesados de mais). O formato que tenho adotado no momento é a formulação de atividades a serem respondidas em testes no Google Formulários. Em um exemplo de atividade deste tipo sobre teorias deontológicas em ética, os alunos devem responder questões sobre uma leitura definida (neste caso disponibilizada junto ao próprio questionário) e recebem um áudio de apoio. Este formato permite que o aluno receba um feedback automático ao final da atividade, exige que o aluno tenha se engajado ativamente com o conteúdo e permite que a atividade seja realizada em horários diferentes. Uma segunda alternativa é combinação de uma página com conteúdos e testes (ver um exemplo em elaboração para lógica proposicional).

Espero que esta breve lista de exemplos e possibilidades possa ser útil. Comentários com sugestões de mais formatos e exemplos são muito bem-vindos e serão adicionados à postagem original.

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