Durante o período em que as atividades regulares do IF Farroupilha estiveram suspensas, tive a oportunidade de participar de um projeto voltado à preparação dos alunos para o Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem. Participar do projeto me permitiu fazer algumas coisas que nem sempre são viáveis durante as atividades regulares de ensino, como aumentar a familiaridade com a prova e encarar maneiras de apresentar certos temas da filosofia que diferem da maneira como eu próprio faria em uma aula regular.

Nessas atividades busquei oferecer aos alunos estratégias de solução para as questões que aparecem no exame, mas principalmente indicar os conteúdos que subjazem cada questão. Um processo adicional nesse trabalho foi testar diferentes formatos de vídeo e aprimorar sua qualidade, dentro de cronogramas que nem sempre permitiram muito ensaio prévio. O resultado final fica registrado abaixo, na torcida de que possa ajudar outros alunos na sua preparação.
1. Enem 2012.2 — Questão 73
“Pode-se viver sem ciência, pode-se adotar crenças sem querer justificá-las racionalmente, pode-se desprezar as evidências empíricas. No entanto, depois de Platão e Aristóteles, nenhum homem honesto pode ignorar que uma outra atitude intelectual foi experimentada, a de adotar crenças com base em razões e evidências e questionar tudo o mais a fim de descobrir seu sentido último.” (ZINGANO, M. Platão e Aristóteles: o fascínio da filosofia. São Paulo: Odysseus, 2002)
Platão e Aristóteles marcaram profundamente a formação do pensamento Ocidental. No texto, é ressaltado importante aspecto filosófico de ambos os autores que, em linhas gerais, refere-se à:
A) adoção da experiência do senso comum como critério de verdade.
B) incapacidade de a razão confirmar o conhecimento resultante de evidências empíricas.
C) pretensão de a experiência legitimar por si mesma a verdade.
D) defesa de que a honestidade condiciona a possibilidade de se pensar a verdade.
E) compreensão de que a verdade deve ser justificada racionalmente.
Comentário sobre a questão:
2. Enem 2012.1 — Questão 70
TEXTO I
“Experimentei algumas vezes que os sentidos eram enganosos, e é de prudência nunca se fiar
inteiramente em quem já nos enganou uma vez.” (DESCARTES, R. Meditações Metafísicas.
São Paulo: Abril Cultural, 1979)
TEXTO II
“Sempre que alimentarmos alguma suspeita de que uma ideia esteja sendo empregada sem
nenhum significado, precisaremos apenas indagar: de que impressão deriva esta suposta
ideia? E se for impossível atribuir-lhe qualquer impressão sensorial, isso servirá para confirmar
nossa suspeita.” (HUME, D. Uma investigação sobre o entendimento. São Paulo: Unesp, 2004 – adaptado)
Nos textos, ambos os autores se posicionam sobre a natureza do conhecimento humano. A
comparação dos excertos permite assumir que Descartes e Hume:
A) defendem os sentidos como critério originário para considerar um conhecimento legítimo.
B) entendem que é desnecessário suspeitar do significado de uma ideia na reflexão filosófica e crítica.
C) são legítimos representantes do criticismo quanto à gênese do conhecimento.
D) concordam que conhecimento humano é impossível em relação às ideias e aos sentidos.
E) atribuem diferentes lugares ao papel dos sentidos no processo de obtenção do conhecimento.
Comentário sobre a questão:
3. Enem 2019 — Questão 51 (caderno azul)
“Em sentido geral e fundamental, Direito é a técnica da coexistência humana, isto é, a técnica voltada a tornar possível a coexistência dos homens. Como técnica, o Direito se concretiza em um conjunto de regras (que, nesse caso, são leis ou normas); e tais regras têm por objeto o comportamento intersubjetivo, isto é, o comportamento recíproco dos homens entre si.” (ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2007.)
O sentido geral e fundamental do Direito, conforme foi destacado, refere-se à
A. aplicação de códigos legais.
B. regulação do convívio social.
C. legitimação de decisões políticas.
D. mediação de conflitos econômicos.
E. representação da autoridade constituída.
Comentário sobre a questão:
4. ENEM 2019 — Questão 78 (caderno azul)
TEXTO I
“Duas coisas enchem o ânimo de admiração e veneração sempre crescentes: o céu estrelado sobre mim e a lei moral em mim.” KANT, I. Crítica da razão prática. Lisboa: Edições 70, s/d (adaptado).
TEXTO II
“Duas coisas admiro: a dura lei cobrindo-me e o estrelado céu dentro de mim.” FONTELA, O. Kant (relido). In: Poesia completa. São Paulo: Hedra, 2015.
A releitura realizada pela poeta inverte as seguintes ideias centrais do pensamento kantiano:
A. Possibilidade da liberdade e obrigação da ação.
B. Aprioridade do juízo e importância da natureza.
C. Necessidade da boa vontade e crítica da metafísica.
D. Prescindibilidade do empírico e autoridade da razão.
E. Interioridade da norma e fenomenalidade do mundo.
Comentário sobre a questão:
5. Enem 2019 — Questão 67 (caderno azul)
TEXTO I
“Considero apropriado deter-me algum tempo na contemplação deste Deus todo perfeito, ponderar totalmente à vontade seus maravilhosos atributos, considerar, admirar e adorar a incomparável beleza dessa imensa luz.” DESCARTES, R. Meditações. São Paulo: Abril Cultural, 1980.
TEXTO II
“Qual será a forma mais razoável de entender como é o mundo? Existirá alguma boa razão para acreditar que o mundo foi criado por uma divindade todo-poderosa? Não podemos dizer que a crença em Deus é ‘apenas’ uma questão de fé.” RACHELS, J. Problemas da filosofia. Lisboa: Gradiva, 2009.
Os textos abordam um questionamento da construção da modernidade que defende um modelo
A. centrado na razão humana.
B baseado na explicação mitológica.
C fundamentado na ordenação imanentista.
D focado na legitimação contratualista.
E configurado na percepção etnocêntrica.
Comentário sobre a questão:
6. Enem 2019 — Questão 64 (caderno azul):
‘A lenda diz que, em um belo dia ensolarado, Newton estava relaxando sob uma macieira. Pássaros gorjeavam em suas orelhas. Havia uma brisa gentil. Ele cochilou por alguns minutos. De repente, uma maçã caiu sobre a sua cabeça e ele acordou com um susto. Olhou para cima. “Com certeza um pássaro ou um esquilo derrubou a maçã da árvore”, supôs. Mas não havia pássaros ou esquilos na árvore por perto. Ele, então, pensou: “Apenas alguns minutos antes, a maçã estava pendurada na árvore. Nenhuma força externa fez ela cair. Deve haver alguma força subjacente que causa a queda das coisas para a terra’. The English Enlightenment, p. 1-3, apud MARTINS, R. A. A maçã de Newton: história, lendas e tolices. In: SILVA, C. C. (org.). Estudos de história e filosofia das ciências: subsídios para aplicação no ensino. São Paulo: Livraria da Física, 2006. p. 169 (adaptado).
Em contraponto a uma interpretação idealizada, o texto aponta para a seguinte dimensão fundamental da ciência moderna:
A. Falsificação de teses.
B. Negação da observação.
C. Proposição de hipóteses.
D. Contemplação da natureza.
E. Universalização de conclusões.
Comentário sobre a questão:
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